12 de ago de 2011

Dia onze de agosto


 

 

 
É o pequeno que chora
É o casal que adota

É o casal que se separa
É o pequeno que chora

No dia do advogado
Há que se repensar...

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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Dia do advogado

 

17 de dez de 2010

O canto do poeta


Todo dia canta a cotovia
No balanço do trem
Abarrotado de gente
Cansada do final do dia
Sem alcançar o final da lida
Miserere nobis
Ora, ora pro nobis
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Todo dia canta o rouxinol
Sua tristeza ao ver
Crianças vazias
Nas ruas cheias de gente
Sem alcançar o final da dor
Miserere nobis
Ora, ora pro nobis
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Todo dia canta o bem me quer
Seu desalento pelos casais
Repletos de desamor
Ilhados na solidão a dois
Sem alcançar o final do circo
Miserere nobis
Ora, ora pro nobis
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Todo dia, afinal, canta o poeta
A esperança de ser amor
Os segundos de cada vida
Na beleza do universo
Dos sentimentos em verso
Jesu Christe
Hosanna in excelsis

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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

15 de dez de 2010

Máquinas fazem paraplégicos andar

Esqueleto externo de 20 kg permite ficar em pé e atingir até 3 km/h. Três empresas fazem exoesqueletos; uma delas, da Nova Zelândia, colocará seu produto no mercado por R$ 255 mil.
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Amanda Boxtel e Alysse Einbender têm pouca coisa comum. A primeira é uma professora de esqui australiana de 43 anos. A segunda, paisagista americana de 50 anos, é mãe de dois meninos. Em comum, as duas dividem uma tragédia e um quase milagre. Ficaram paraplégicas durante anos, mas voltaram a andar recentemente, graças a aparelhos de duas empresas diferentes.
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Amanda se beneficiou do eLegs, produzido na Califórnia e lançado em outubro, e Alysse usou o ReWalk, criado em Israel e presente numa clínica de reabilitação americana desde o ano passado. Ambos usam uma espécie de exoesqueleto ajustado ao corpo do cadeirante que, por meio de sensores, o faz andar com a ajuda de duas muletas.
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"Consegui dobrar meus joelhos pela primeira vez após 18 anos", disse Boxtel. "Consegui transferir meu peso, dar mais um passo. E foi tão natural."
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Não há data para a comercialização dos aparelhos, mas o ReWalk já é usado num hospital na Filadélfia, e o eLegs estará disponível para centros médicos em 2011.
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Um terceiro foi apresentado em julho na Nova Zelândia, num evento que contou até com o primeiro-ministro. A empresa Rex Bionics promete colocá-lo a venda até o final do ano por R$ 255 mil.
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Nos últimos dois anos e meio, oito pessoas com lesões na medula e uma com distrofia muscular já passaram por treinamento do Rex. Ao contrário dos dois primeiros aparelhos, o neozelandês é mais pesado, pouco maleável e possui um joystick no lugar de muletas.
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"Acreditamos que o uso constante de muletas pode causar lesões nos ombros", diz o diretor de marketing da empresa, Thomas Mitchell.
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Assim como o eLegs e o ReWalk, o Rex não pretende substituir totalmente o uso da cadeira de rodas e sim ser uma ferramenta extra para os cadeirantes. "Os usuários dizem que notaram uma mudança no relacionamento com as pessoas, inclusive com crianças, já que elas não ficam mais altas do que eles", diz Mitchell.
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Dos três, o eLegs é o mais compacto e dá mais mobilidade ao usuário, que pode dobrar o joelho de forma mais natural e chegar a atingir até 3 km/h. Foi eleito, pela revista "Time", uma das 50 melhores invenções de 2010.
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O aparelho funciona com ajuda de sensores que traduzem os gestos do cadeirante para determinar suas intenções e agir de acordo com elas, como uma espécie de software, carregado numa mochila nas costas.
Para usá-lo, é preciso ter entre 1,58 e 1,95 m de altura, pesar até 100 quilos e conseguir se transferir da cadeira de rodas para uma normal.
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A tecnologia foi desenvolvida a partir de exoesqueletos hoje usados por soldados -um deles permite que os militares carreguem até 90 quilos por terrenos irregulares, por horas, sem lesões.
(Fonte: Folha de S.Paulo)
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Postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

25 de nov de 2010

Sexualidade, amor e paraplegia



A vida trouxe-me um acidente. O acidente trouxe-me uma paraplegia. A paraplegia trouxe-me a cadeira que roda. Onde então a limitação, se a vida continuou plena, em todos os seus sentidos? Se o amor não se acidentou. Se o companheirismo permaneceu intacto e a alegria foi a nuance. Meu querido companheiro, nós prosseguimos em nossos dias, presentes, sim cada dia  foi um presente diferente, e semeamos vida...germinamos vida...e acrescemos vida...em amor. Você se foi antes de mim, mas a nossa imagem plasmada na foto, para todo o sempre, historia a vida terrena...e onde você estiver...saiba que esse texto, abaixo, foi escrito por alguém que, como você e eu, e tantos de nós, que tivemos diferentes tipos de acidentes, soube compreender a importância do ser. Que muitos se juntem a nós e escrevam lindas histórias, sabendo que a vida é o que fazemos dela....e ela é sobretudo amor.

Hoje trago, pois, importante texto, escrito por Genaura Tormin, a primeira mulher advogada na profissão de delegada, que supriu, como ninguém, a sua paraplegia, provocada por um vírus.

É na troca de vivências que aprendemos um pouco mais, porque somos, sem dúvida alguma, eternos aprendizes.
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O ato de amar tem leveza, graça, ternura e beleza

Escrito por Genaura Tormin:
http://genaura.blogspot.com/
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O ato de amar tem leveza, graça, ternura, beleza... Um pouco de céu passeando pela natureza. A sexualidade é um atributo nato do ser humano.
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Com a mulher paraplégica não é diferente em decorrência de sua condição. Depende muito da altura da lesão e de sua parcialidade ou não. Cada lesão é peculiar, única. Cada caso é um caso, com respostas diferentes. Isso quer dizer que a interferência dessa condição no exercício da sexualidade é relativa.
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O termo sexualidade é amplo e está ligado à individualidade, aos valores herdados do berço, aos legados familiares e à influência do meio em que se vive, abrangendo algumas fantasias sócio-culturais, passadas pela mitologia grega e pelos conceitos de beleza, atribuídos à mulher ao longo dos tempos.
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A supremacia masculina revela-se nessa relação, ostentando um modelo sociológico antigo de propriedade, cujo estereótipo vem sendo banido, com a ascensão da mulher à conquista de si mesma. Até os anos 60 a mulher foi tida como objeto sexual, fardo nos ombros do marido. A figura do macho, caçador, senhor de muitos leitos, também foi amainada. Cresceu em sabedoria, e em recente pesquisa ficou demonstrado que os homens mais informados, mais cultos, não se dão a traições banais. Isso é crescimento, mudança de valores.
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A medula, o nosso tecido mais nobre, que se encontra preenchendo o conduto da coluna vertebral em forma de tutano, é a responsável, em sua parte anterior, pela transmissão dos movimentos locomotores e na parte posterior pela transmissão da sensibilidade. Se sofremos secção total da medula por tiro, acidente ou até mesmo por vírus, teremos enclausurados os movimentos locomotores, bem como a sensibilidade.
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Mesmo assim, apesar de estarmos com deficiência, fisicamente estamos vivas. Resta-nos o cérebro pensante, criativo e, por vezes, escandalosamente sensual.
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A primeira noite de novas núpcias, depois de paraplégica, pode ser dolorida, com o passado gritando, desarrumando sem dó o nosso coração que, com certeza, deixa vazar a perda em mares de lágrimas. Mas isso é bom. Começa-se a carpir o terreno, na construção de veredas e atalhos.
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É preciso ultrapassar essa barreira. Libertar-se. Dar vazão ao sentimento. Deixar que as lágrimas escorram pela face e apascentem a alma na construção de novas maneiras de cantar o amor.
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O que fazer? Reconstruir! Erigir pirâmides e versos! Pensar grande! Resta-nos, ainda, agradecer! Fisicamente podemos satisfazer o parceiro e descobrirmos juntos outras maneiras, outros pontos eróticos . A tarefa a dois fica mais fácil e a solução mais agradável.
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A natureza é mesmo perfeita e o sexo é a sublimação do amor, o berço do eterno renascer... O berço da vida humana. Por isso cada um de nós foi feito de amor e por meio do amor numa doação coroada.
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O amor é um sentimento lindo! Daí, por consequência, a sublimação na união de corpos, mistura de genes, transferência mútua de energias que nos renovam sempre o prazer de viver, além da multiplicação da espécie que nos confere o poder de criadores, um dos fins precípuos dessa união. O ato sexual propicia muito prazer, amainando as desigualdades do casal, ajudando a construir a almejada felicidade.
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Compulsando compêndios de estudos médicos, certifiquei-me de que a mulher paraplégica conserva a condição de fertilidade, podendo plenamente engravidar, dar à luz e amamentar a sua cria.
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O sexo não deve ser profano e o seu exercício chega a ser místico, feito uma cerimônia litúrgica. Afinal foi Deus o seu criador.
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O desempenho sexual envolve o comando cerebral, medular e periférico, além das formas físicas do côncavo e do convexo.
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Entretanto, sexo não significa apenas contato genital. Ele está muito mais na cabeça, no coração e no amor que engloba tudo isso. Há, ainda, a criatividade que nos aponta outros meios, outras maneiras de fazer amor.
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Aprendemos a encontrar a essência do prazer de outras formas. Procuramos fantasiar e atentar para o que nos sobrou ileso, embora, nós mulheres, possamos satisfazer plenamente o parceiro, tendo em vista, anatomicamente, tudo se encontrar em forma, apenas sem mobilidade.
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A mulher paraplégica deve usar a sabedoria. Arranjar sempre uma maneira para que o clímax fique melhor. O desejo de amar já é amor. Tudo se manifesta no olhar, no suor, nos olhos, nas lágrimas, no aconchego, no estar junto sem dizer nada, na divisão de um copo de suco, na chegada estampada em passos. Tudo ouriça e cativa, faz o querer sempre maior. Quando há o envolvimento, as portas vão se esgueirando à frente cheias de oportunidades, de fórmulas mágicas peculiares para encantar o leito do amor. O momento faz a hora.
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Tudo está na maneira de pensar e na disposição para achar soluções. O contato físico, sexualmente falando, existe, sim, e bom, capaz de levar-nos à satisfação plena, o que eu costumo dizer: longe da terra e perto do céu.
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O amor, esse tão lindo amor, não se dobra a obstáculos e não se curva às intempéries da estrada. Mesmo após as tempestades, ergue-se incólume e altaneiro. Há sempre encantamento na partilha!
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Referindo-me à mulher paraplégica que nada faz para resgatar com satisfação a sua sexualidade, ouso dizer que é falta de autoestima e até de autoconhecimento, porque estar deficiente não significa estar morta ou assexuada. A mente e o coração estão ilesos, prontos para viver uma linda história de amor.
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O ato sexual envolve algo mais, além da penetração do membro viril. Se assim não o fosse, seria apenas fisiologismo. O ato de amar tem leveza, graça, ternura, afeto... Um pouco de céu passeando pela terra. “Temer o amor é temer a vida, e os que temem a vida já estão meio mortos”. (Bertand Russell).
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Escrito por Genaura Tormin e transcrito por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

7 de out de 2010

Ser feliz!

A britânica Shannon Murray, 32 anos, é a primeira modelo cadeirante a protagonizar um editorial de moda. Ela foi contratada pela rede de lojas de departamento Debenhams para ser uma das estrelas do novo catálogo da empresa


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Segunda-feira, Março 01, 2010 - Marca inglesa Debenhams coloca modelo cadeirante em campanha publicitária

Pessoal, com esse pequeno texto," Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Não importam quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho. DalaiLama, hoje vendo noticias da moda encontrei uma matéria sensacional, maravilhosa, respeitosa aos cadeirantes, gostaria muito estar presente em um desfile como esse pois, gostaria de aplaudir em pé.

Enquanto no Brasil fotos com modelos cadeirantes são vistas só na novela da TV Globo “Viver a Vida”, na Inglaterra mulheres em cadeiras de roda estampam a nova campanha da marca Debenhams. As imagens, que estarão em todas as lojas da cadeia (em mais de cinco cidades da Inglaterra) e na internet, trazem Shannon Murray, de 32 anos, que ficou paraplégica na adolescência ao quebrar o pescoço.
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A ideia foi proposta pelos apresentadores do programa de TV, “How to look good naked, with a difference”, Nikki Fox e Wood Natasha, que também são portadores de deficiência física. Nas fotos, Shannon aparecerá com outras três modelos com diferentes perfis: altas, baixas, magras e cheinhas.

“Nós queremos oferecer todos os modelos e tamanhos, atender às mulheres jovens e velhas, com ou sem deficiência física”, comenta o vice-diretor executivo da marca, Michael Sharp à versão online do jornal inglês Telegraph. "Quando Nikki e Wood chegaram até nós com essa ideia, não pensamos duas vezes. Estamos orgulhosos de ser a primeira grande magazine a fazer isso. Deveríamos ter feito antes", completou Sharp.
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Em 1998, na London Fashion Week, o falecido Alexander McQueen gerou polêmica ao levar à passarela Aimee Mullins, ex-atleta das Paraolimpíadas que teve as duas pernas amputadas. No desfile, ela mostrou as próteses entalhadas à mão.

GNT/

Postado por VAL ZONATO às 19:23 Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Buzz


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Considerando os tópicos supra,  algo que não consigo entender...é essa palavra coitada...dita em tom banal de penalização, em forma de sussurro entredentes e, preferentemente, quando você passa de soslaio, a tempo de escutar.
 
Tão inconformada fui buscar no dicionário e encontrei, entre tantas definições que se confundem na raiz etimológica da palavra, que coitado quer dizer, entre outras, infeliz.

Ora como é que uma pessoa pode, em questão de segundos, firmar um julgamento, o que já de per si não é viável nem próprio, de que o outro é infeliz...Por que usa uma cadeira de rodas?

Ora, grotescamente falando, que tudo tem limite...o pré-julgamento, assim, será que vem do que o outro imagina que sentiria se estivesse sobre uma cadeira de rodas, ao lado de uma cadeira de rodas ou junto com alguém que se vale de uma cadeira de rodas?

Se a brilhante conclusão decorrer do fato de que é o que sentiria se estivesse sobre uma cadeira de rodas...não me faz qualquer sentido, pois eu, como outros, agradeci a Deus por estar viva e poder rodar, ao invés de morrer literalmente num acidente que me vitimou, adorando chegar aos lugares com o meu carro adaptado, tendo amado e sido amada por um marido fantástico que via nessa mesma cadeira um sapato especial...sapato feio eu diria...de um mau gosto que o mercado ainda não se deu conta em melhorar...um sapato difícil de combinar com uma bolsa de mesma cor e etc....mas um sapato que cumpre sua finalidade...me permite andar, trabalhar, viajar, como todo e qualquer ser humano.

Considerando, mais, ainda, que quando sofri o acidente já tinha uma filha, e, depois de sete anos engravidei, pois casada era e casada permaneci. Tive um filho que hoje já está com 23 anos. Aliás, devo esclarecer, que à noite pra dormir ou pra amar, eu costumo tirar o sapato, e nunca soube de pessoas que transem andando...mas pelas dúvidas talvez desse até pra inovar, sei lá. A minha feminilidade não se espatifou, nem a minha inteligência, criatividade, alegria, conhecimentos, vida, vida, de verdade vida.
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Aí estou numa festa, feliz e radiante, bem vestida, querida e bem recebida pelos amigos e passo por alguém que nunca vi na minha vida e que sussurra melosa e melancolicamente, entredentes, caridosamente...tão bonita...coitada! Ora, que é que é isso, senão mais um caso de divã...coitada?... seria por eu ser viúva?...mas a pessoa não sabe....então por que? Ah! Por conta do sapato especial...ora há trinta anos o tenho usado dos poucos modelos até então criados....e é graças a isso que sobrevivo...feliz, incrivelmente feliz...e essa pessoa, ao meu lado, em pleno potencial, ao invés de estar curtindo a festa, e os amigos, está sentada e pregada numa cadeira que não roda, de olho em mim, pra colocar sua alma num inexpressivo ...coitada, ora meu senhor, minha senhora, por favor, só lhes posso responder depois do que acima  se vê que coitada talvez possa vir a ser a concunhada da sogra da vizinha do lado direito da casa onde habita vossa ilustríssima madrinha de crisma, da encaranação passada....Boa noite!

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

8 de set de 2010

DA NATURALIDADE DO SER


Pare o medo de sentir
De se expandir
De simplesmente ser
Sem rotular ou descrever
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Detenha o medo de ter
No outro a alegria do estar
Do permanecer e se alegrar
E deixar se embevecer
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Que a vida é simplesmente amor
A flor nasce e nos doa o perfume
Sem cobrar por sua beleza e cor
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O sentimento é natural do viver
Não envolve posse ou comando
Apenas sinceridade de sentir e ser
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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Homenagem à vida"

31 de ago de 2010

PEDAÇO PERDIDO


Olá, pessoas queridas!

Repasso o texto abaixo, pois me fez lembrar, talvez pela idéia do círculo, do meu sapato especial e,concluo, que não é o deficiente que é limitado, pois se ele necessita de uma cadeira de rodas, a partir do momento em que está nela roda ou anda, como quiserem, e se é cego e tem uma bengala, anda, identifica, sente, percebe e supera sua limitação de não ver e assim sucessivamente para todos os que possuam qualquer espécie de limitação.
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O que, de fato, limita é a "falta de espaço ao redor" que impede a vida sem limites e não o "pedaço" que a cada um falta, porque o espaço ao redor foi feito para ser explorado e é com isso que as pessoas crescem.
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O espaço ao redor pode representar aqueles que vêem apenas como limites os pedaços que faltam, num arraigado pré-conceito, tanto quanto as próprias barreiras arquitetônicas e seja por um, pré-conceito, ou outro, falta de rampas, sinais, vagas, estacionamentos verdadeiros e não itens cumpridos por força de lei, pra inglês ver, a verdade é que a limitação deixa de estar no deficiente quando ele tem o aparelhamento especial que a supre (cadeiras, bengalas, brille, botas, etc.)


POR ISSO TUDO, O TEXTO ABAIXO SE REVELA AINDA MAIS LINDO.

PEDAÇO PERDIDO


Esta é a história do círculo no qual faltava um pedaço.

Um grande triângulo lhe fora arrancado. O círculo queria ser inteiro, sem nada faltando, então foi procurar o pedaço perdido. Como estava incompleto e só podia rodar lentamente, admirou as flores ao longo do caminho. Conversou com os insetos. Observou o sol.
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Encontrou vários pedaços diferentes, mas nenhum deles servia. Então, deixou-os todos na estrada e continuou a busca.
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Certo dia, o círculo encontrou um pedaço que se encaixava nele perfeitamente. Ficou tão feliz!
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Seria inteiro. Incorporou o pedaço que faltava e começou a rodar. Agora que era um círculo perfeito, podia rodar muito rápido, rápido demais para notar as flores e conversar com os insetos.
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Quando percebeu como o mundo parecia diferente ao rodar tão depressa, parou, deixou o pedaço na estrada e foi embora rodando lentamente.
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Somos mais inteiros quando sentimos falta de algo.
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O homem que tem tudo é, sob certos aspectos, um homem pobre. Nunca saberá o que é ansiar, esperar, nutrir a alma com o sonho de algo melhor. Nunca saberá o que é receber de quem ama algo que sempre quis e nunca teve.
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Quando aceitarmos que a imperfeição é parte do ser humano e pudermos, a exemplo do círculo, continuar a rodar pela vida e apreciá-la, teremos adquirido a integridade que todos desejam.
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E, finalmente, se formos corajosos o bastante para amar, fortes o bastante para perdoar, generosos para exultar com a felicidade alheia e sábios para perceber que há amor suficiente para todos, então poderemos atingir a plenitude que nenhuma criatura viva atingiu.
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Poderemos regressar ao Paraíso.
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Autor anônimo